MISSA A 20 DE JUNHO, NA SÉ DE LISBOA

MISSA A 20 DE JUNHO, NA SÉ DE LISBOA

Como já aconteceu no passado, está a organizar o nosso compatriota João Crisóstomo, a viver nos Estados Unidos,  a celebração de uma missa subordinada ao lema «Dia da Consciência» à qual se associou empenhadamente a Fundação Aristides de Sousa Mendes (FASM). O objectivo é evocar o «acto de consciência» do então Cônsul de Bordéus que, em 1940, desobedecendo convictamente à Circular 14 de Salazar, decidiu passar vistos a todos os refugiados, independentemente da sua nacionalidade e da sua crença. Os intermináveis três dias 17, 18 e 19 de Junho, em que incansavelmente assinou e carimbou milhares de passaportes em Bordéus, prosseguindo posteriormente a sua acção em Bayonne, e mesmo depois já perto da fronteira, sabendo de antemão que seria punido, tornam Aristides de Sousa Mendes um exemplo para toda a Humanidade.
           O Senhor Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, aceitou celebrar uma missa por essa intenção, no dia 20 de Junho p.f., pelas 19.00 horas, na Sé de Lisboa. Outras missas e actos religiosos, oscilando as datas entre 15 e 26 de Junho, serão celebrados em vários pontos do país e do mundo, lembrando o Cônsul de Bordéus.
São inúmeras as adesões na Igreja, a nível nacional e internacional, sendo de referir em Portugal as dos Bispos de Bragança, Beja, Braga, Forças Armadas, Setúbal e Viseu, das Comunidades Israelitas de Lisboa e do Porto, da Comunidade de Santo Egídio, da Ordem de São Francisco e de inúmeros Párocos. Internacionalmente, as respostas afirmativas vieram de França, da Bélgica, do Luxemburgo, de Itália, do Brasil, e dos E.U.A.
Convidando todos a participar nesta celebração, termino com um extracto de uma carta de Aristides de Sousa Mendes, um pouco longo, mas bem elucidativo do seu carácter e da sua sensibilidade:
Em 1940, achava-me eu em Bordéus no desempenho das funções consulares, quando se deu a queda da França. Este acontecimento, quase no começo da guerra, foi precedido de circunstâncias verdadeiramente dramáticas que emocionaram o mundo inteiro. […] O que foram esses dias, não é fácil descrevê-lo, mas pode ser imaginado por aqueles que têm sentimentos humanitários e entendem que a fraternidade e a solidariedade humanas não devem ser palavras vãs. Foi nessa conjuntura que eu, […] me vi, inesperadamente, na situação de ter de resolver, de pronto e sem hesitações, sobre a sorte de muitos milhares de pessoas que de mim imploravam aflitivamente a salvação! […] vi-me no dilema: ou cumprir as instruções do Governo, proibitivas e draconianas, entregando os fugitivos às hostes invasoras, ou salvá-los dos horrores da guerra, cedendo ao ímpeto do coração, mas desobedecendo às ditas instruções. Foi esta última decisão que prevaleceu no meu espírito, e, apesar de saber que a minha atitude poderia acarretar-me os maiores dissabores, não hesitei um momento em me sacrificar e aos meus pela salvação de tantos milhares de pessoas!


Carta datada de 19 de Fevereiro de 1945 dirigida ao Bastonário da Ordem dos Advogados, António Nogueira e Sá.

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