África – visões do Gabinete de Urbanização Colonial - Exposição no CCB

África – visões do Gabinete de Urbanização Colonial propõe um percurso por uma paisagem africana desenhada (e reinventada) a partir do coração da metrópole, Lisboa, no período final da colonização portuguesa (1944-1974). É também a narrativa visual de uma aprendizagem arquitectónica que se inicia com a criação do Gabinete de Urbanização Colonial (GUC), no final de 1944, por Marcelo Caetano, quando era ministro da Colónias.
As diferentes designações do Gabinete exteriorizam-se nas alterações das estratégias de desenho que este vai promovendo para a cidade e seus edifícios. Como resultado das equipas multidisciplinares de arquitectos, engenheiros, peritos em medicina tropical e climatologia que aqui trabalham, desenvolve-se uma arquitectura “de representação” colonial, funcional e tectonicamente sólida, que evolui em três fases estilísticas. Primeiro, inspirando-se na arquitectura popular portuguesa do Alentejo e, genericamente, do sul do país, numa versão “mais mediterrânica”, equivalendo ao período de vigência do GUC (1944-1951). Depois, testando tipologias mais monumentalizadas e historicistas, associadas aos regimes ditatoriais, reflectindo mudanças legislativas que reprimem o uso do termo “colonial”, substituído o nome original deste organismo por Gabinete de Urbanização do Ultramar (GUU, 1952-1957). Mais tarde, deixando-se contaminar pelas tradições construtivas locais e ensaiando uma primeira expressão de “nativismo africano”, antecipando visões de autonomia e independência. Este momento, muito tardio e, em comparação com as fases anteriores, com menos concretizações no terreno, corresponde à actuação da Direcção de Serviços de Urbanismo e Habitação da Direcção-Geral de Obras Públicas e Comunicações do Ministério do Ultramar (DSUH/DGOP-MU, 1958-1974).
África – visões do Gabinete de Urbanização Colonial é ainda o resultado de um projecto de investigação multidisciplinar, originalmente intitulado Os Gabinetes Coloniais de Urbanização – Cultura e Prática Arquitectónica, desenvolvido entre 2010 e 2013, e financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). Envolvendo investigadores de diferentes formações (arquitectos, historiadores, arquivistas, geógrafos, sociólogos) oriundos de distintos centros portugueses de investigação, o projecto partiu da parceria entre três instituições: o ISCTE-IUL (sendo mais tarde integrado no DINÂMIA’CET), o Arquivo Histórico Ultramarino do Instituto de Investigação Científica Tropical (AHU/IICT) e o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU).
No ano lectivo de 2012/2013, o projecto foi levado para a sala de aula durante as sessões de História de Arquitectura Portuguesa do Mestrado Integrado em Arquitectura do ISCTE-IUL. Os alunos foram então desafiados a completar o olhar experiente dos investigadores e a produzir as suas próprias leituras em Construir em África – Arquitectura do Gabinete de Urbanização Colonial em Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique (1944-1974). Este trabalho encontra-se parcialmente sintetizado através dos redesenhos que formam o tapete de chão, e das maquetas expostas.
Por fim, o convite lançado pelo CCB, em Janeiro de 2012, aos agentes culturais  portugueses para a apresentação de sugestões a integrar na programação, e posterior selecção da proposta por Dalila Rodrigues, após ter criado a Garagem Sul - Exposições de Arquitectura, acabaria por permitir fechar o ciclo, abrindo definitivamente a academia ao espaço público.
Ana Vaz Milheiro

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